O que ficar longe de casa por um mês me ensinou:

foto: urbanarts.com.br

 No final de Janeiro fomos “morar” por uns dias na casa da minha avó. Quase um mês na verdade, até conseguirmos resolver um problema em casa. Coloquei algumas roupas em uma mala, comida que comprei na semana em uma eco-bag, e mais algumas tranqueiras em outra bolsa e mochila. Pensei ter posto apenas o necessário para passar algumas semanas. Para mim: Shampoo, condicionador, creme hidratante, maquiagem, chinelo e sapatilha, um livro, celular, algumas blusas, shorts, itens de higiene pessoal e roupas intimas…. UFA, e sem contar as coisas do filho e marido (que levou menos de 10 peças de roupa, mas que achou extremamente essencial levar o computador e console. Prioridades, amigos).

Com o passar dos dias percebi que havia levado coisas demais para mim. Que não precisava de metade daquilo. Na semana seguinte passamos em casa e dei uma boa olhada em tudo que tinha no guarda roupas, cômoda do “bebê”, dentro do baú da cama…. Enchi duas ecobags e minha mochila com itens desnecessários para mim, e levei de volta a casa da minha avó, pois uma das irmãs dela doa essas coisas para a igreja que frequenta. PS: Algumas coisas podem não fazer mais sentido para nós, mas podem ser necessários para outras pessoas.

O mais interessante dessa experiência foi que (além de passar todo o tempo com a minha avó) eu pude ter a verdadeira noção do que era essencial para mim e do que realmente amava, e me libertar de todo o resto (Achei que já soubesse disso, estava enganada!). As vezes passar por dificuldades nos torna mais fortes e criteriosos com o que queremos em nossas vidas.

Apesar de estar nesse caminho de viver com menos há três anos, tenho cometido muitos erros e compras impulsivas [Sou humana] . Percebi também que o essencial muda conforme crescemos fisiologicamente e mentalmente. E nesse ano decidi mudar alguns dos meus hábitos, consumir mais conscientemente, não comprar roupas, comprar comida em feiras orgânicas, comer mais vegetais e menos carne, colocar cada vez menos substancias nocivas na minha pele, e tenho certeza que essa experiencia fora de casa me ajudou a ter mais clareza e foco nos meus objetivos.

– Mallu

Como praticar o Minimalismo no Natal

Sem título

O Natal é meu feriado preferido da vida. Hoje em dia o motivo principal de gostar tanto do natal é: a comida. Mas ter a oportunidade de passar o dia com a minha família não perde por muito não, hein 😉 rs.

Quando eu era criança gostava desse dia por causa dos presentes. Com o passar dos anos a quantidade de presentes foram diminuindo. Faz dois anos que não me incomodo com isso. Não me incomodo em não receber presentes, também não me frustro mais de ser presenteada com algo que já tenho ou não preciso, pois não  tenho mais pena de trocar ou doar um presente dado por alguém que gosto. A intenção do presente é mostrar que alguém pensa e se importa com você. Presente dado, e você já tendo agradecido gentilmente (é claro), a função já foi concluída com sucesso.

Mas tem gente que se apega emocionalmente às coisas, com isso acabam enchendo suas casas com bens materiais que não gostam e tradições que não lhes fazem sentido. E pode até parecer que não, mas muitas das coisas que fazemos somente porque é Natal, são feitas no modo automático, porque fomos ensinados desse jeito, porque todos estarão fazendo também.

O minimalismo fala sobre ter menos ao mesmo tempo que fala sobre ter o essencial. Se você gosta de dar presentes, se isso te faz feliz, não há porque parar. O que temos que começar a pensar é se esses presentes são uma forma de demonstrar nosso afeto aos outros ou se se tornaram uma obrigação.

Por essas e outras escrevi a baixo algumas dicas de como conciliar o Minimalismo em uma época atualmente tão focada no consumo excessivo, como o Natal:

Parar com a “obrigatória” troca de presentes

Quantos presentes você recebeu mas não gostou, e foi doado ou direto para o lixo? E provavelmente alguém já deve ter feito o mesmo com os presentes que você deu, que te custaram tempo, energia e dinheiro. Então se você não quer/não pode mais gastar o seu suado dinheiro em coisas, diga! E se você prefere não receber mais coisas nos próximos natais, diga também!

Presentes Minimalistas= Coisas úteis, práticas e essenciais

Se você escolher presentear alguém, por que não preferir coisas úteis? Coisas que você sabe que a pessoa está precisando, ou que você sabe que a pessoa vai usar. E não tem jeito mais fácil de acertar no presente do que perguntando diretamente para a pessoa o que é que ela está precisando. Não fica chato, fica bem mais lógico. Mas não tem problema se quiser manter a surpresa, vai jogando um verde, “stalkea” nas redes sociais, ou busca opiniões de pessoas que conhecem melhor a pessoa.

E eu tenho uma leve impressão de que ninguém recusaria presentes comestíveis. Chocolates, biscoitos amanteigados, panetones, etc. (Mas até para isso você precisa ter uma pequena noção e conhecimento para não dar um chocolate com lactose para um vegano, nem biscoitos com açúcar para um diabético).

Repensar as tradições

Já vi gente aborrecida por ter que montar a árvore de natal. Ou nem um pouco entusiasmada para as comemorações de final de ano, mas embarca novamente nessa porque é o que a maioria faz. E é disso que eu to falando, não faz sentido continuar compactuando com algo que já não faz sentido para você. Tudo bem se você enfeitar sua casa apenas com pisca pisca, e se desfazer de uma arvore de Natal porque não vê graça nisso. Tudo bem fazer churrasco no Natal, ao invés de assar um Peru. Não entra nessa de que não combina, esse é o jeito que a indústria alimentícia encontrou de esvaziar seus estoques de “frangos” e porcos no final do ano.

Tudo bem dizer “não” para o amigo oculto anual da sua família. Não aceite porque todo mundo aceitou.

Repensar o que fazemos no piloto automático é essencial para crescermos como indivíduos.

Aos olhos dos outros podemos acabar parecendo chatos, diferentões ou pão duros, mas esse é o primeiro passo para nos libertarmos da consciência coletiva.

Algumas das tradições que seguimos hoje foram criadas a centenas de anos. Os motivos pelos quais àquelas pessoas faziam aquilo são muito diferentes dos motivos pelos quais as pessoas de hoje continuam a  faze-lo. E se você nem sequer sabe porque faz, pare e pense. Faz sentido para você? Você gosta de manter a tradição ou tem feito por imposição social?

Repense as tradições que pratica, e se for do seu agrado, exclua algumas da sua vida, e ninguém tem nada haver com isso.

Praticar gratidão

Normalmente o final do ano deixa as pessoas mais emotivas. Seja pelo fato de que o 13º chegou e já foi embora (não seja essa pessoa rs), ou porque os feriados fazem com que toda a família se reúna em um único cômodo por mais horas que o costume, não importa, seja grato. Se você gastou seu 13º significa que trabalhou para isso, que não faz parte dos milhões de desempregados no país, seja grato por isso. Seja grato por ter chegado a mais um ano com vida. Seja grato por poder comemorar esse dia com a sua família. Pela saúde daqueles que você ama. Pelo presente que você não precisava, pela roupa que durou mais de um ano e ainda parece nova. Acho que você entendeu o que quero dizer, né?

Estar presente

Essa semana li um post do Joshua, do Becoming Minimalist, onde ele dizia que pessoas são mais importantes que o seu celular. E é exatamente isso que eu vou fazer nesse Natal: guardar meu celular. Estar conscientemente presente em uma conversa familiar. A tecnologia pode esperar, amanhã você ainda poderá ver as fotos que seus artistas preferidos postaram no Instagram. Aquele artigo no seu blog preferido ainda estará disponível no dia seguinte. As pessoas que você ama merecem mais o seu precioso tempo do que os seus aparelhos eletrônicos. As pessoas são mais importantes que o seu celular, então esteja/seja presente.

– Mallu

ENXOVAL DO BEBÊ COM APENAS 16 ITENS!

Em 2017 fiz um post sobre o enxoval minimalista que “montei” para o meu filho, que você pode conferir aqui. Como eu ganhei muitas coisas, tanto usadas quanto novas, tentei usar tudo. Também comprei e pedi algumas coisas, que logo me arrependi, que você pode conferir aqui. E levando em consideração a experiencia que tive ao longo de mais de dois anos, eu teria feito muita coisa diferente. Não teria gastado dinheiro em itens dispensáveis, e teria sim dispensado certos presentes.

Sem mais delongas, abaixo você confere a lista do enxoval bem enxuto que eu consideraria ideal:

1. Body

de sete a dez unidades

2. Calça

de sete a dez unidades

3. Macacão

de sete a dez unidades

4. Meias

Seis unidades (são facílimas de lavar, rápidas de secar, e usei também como luva nas primeiras semanas.)

5. Touca

uma só.

6. Mantas

Uma quentinha e outra leve.

7. Pano de boca

de sete a dez

8. Toalha de banho de “adulto”

duas toalhas grandes (pois foi desperdício de dinheiro comprar toalhas pequenas só para ter que trocar por maiores quando a criança cresceu)

9. Banheira

Colocava no chão do box do banheiro mesmo.

10. Sabonete líquido 2 em 1

custo x benefício. Um produto, duas utilidades.

11. Tesoura sem ponta

12. Fralda

Só usei descartável. E te aconselho a fazer um chá de fralda 😉

13. Pomada de tratamento

Se puder dispensar isso, dispense. Falei sobre isso aqui. Infelizmente eu preciso desse item. Compro uma pomada por vez.

14. Trocador portátil

Trocava em cima da cama, e levava para passeios.

15. Carrinho de passeio

Esse item usamos desde os 2 meses do meu filho até hoje. Já serviu muitas vezes de “cama” em festas e na casa de familiares.

16. Mochila

Uma mochila bem resistente e cheia de compartimentos, que até hoje eu levo para cima e para baixo (antes muito usada para a consulta ao pediatra,  hoje também usada para carregar as compras que faço no mercado 😉

 

Alguns podem achar que eu esqueci de mencionar alguns itens, mas não é esse o caso.

Ganhei mas dispensei o berço, pois fiz cama compartilhada. Peguei emprestado o bebe conforto da minha cunhada, mas só usei para deixar meu filho seguro enquanto tinha que fazer alguma coisa, não pagaria por um pois não tenho carro. Eu até fiquei tentada em listar um Sling, que com certeza é um item indispensável para muitas famílias, mas como nunca usei um não posso ter certeza se seria essencial para mim.

O legal do minimalismo é que com o tempo cada pessoa vai descobrir os seus essenciais, o que faz sentido para ela de acordo com seu estilo de vida.

Mas se eu tivesse a oportunidade de vivenciar tudo outra vez, começaria desse jeito aí. E tenho certeza de que não precisaria de muito mais do que isso ao longo do tempo.

-Mallu

Destralhando um guarda-roupa infantil: como eu faço para manter apenas o essencial

Inspiração para guardar as roupinhas de uma maneira diferente. Assim, elas participam da decoração do ambiente! Não é uma fofura? <3

pinterest

Crianças crescem muito rapidamente. Em um momento todas as roupinhas com etiqueta RN estão largas, e num piscar de olhos, você já precisa fazer uma reposição de roupas. Se pretende ter mais filhos é provável que queira guardar algumas das roupas em bom estado. De qualquer forma é bom tirar essas roupas de circulação. Guardá-las em caixas, para não causar confusão. Dessa forma terá uma ideia da quantidade de peças que restou para a criança atual, assim terá uma noção da quantidade de roupas que precisará repor.

Por experiência própria, a cada reposição, eu me sinto mais expert em organizar as gavetas da cômoda do meu filho. Fico atenta para não preencher todos os espaços vagos, e  quando as gavetas parecerem cheias demais eu sei que é hora de fazer um destralhe. Algumas mães podem achar bom ter roupas extras para “o caso de”. Porque talvez chova hoje, ou talvez a criança precise trocar de roupa 3 vezes ao dia porque insiste em brincar na lama. Mas precisamos ser realistas, há um número que mesmo nesses dias agitados, não é possível ultrapassar. Por mais bagunceira que a criança seja, se você lava as roupas mais do que uma vez por semana porque precisaria, por exemplo, de 20 blusas de manga curta? E será que ela realmente usa todas as blusas que têm (regatas, blusas de manga curta e manga comprida), ou as peças no fundo da gaveta estão sendo esquecidas?

De meses em meses eu dou uma boa olhada nas duas gavetas de roupas do meu filho e é dessa forma que decido o que manter, o que doar/vender, e o que jogar fora:

41459299_2849598925318636_8028912142591721472_n

foto: out/2018. Da esquerda para direita: regatas, manga curta e comprida, shorts.

1. Separo por categorias:

Tiro todas as roupas da gaveta e junto às pecas da mesma categoria em pequenas pilhas. Assim dá para ter uma noção do que tem de mais e o que está faltando.

2. Está em bom estado? Dá para consertar?

Eu não gosto de vestir roupas rasgadas, furadas, manchadas, então porque meu filho gostaria? Não acho que ele se importe de todo jeito. Poucas foram as roupas manchadas que um balde com água e sabão não conseguiram salvar. Se aparece um furinho na roupa e dá para consertar, eu costuro. Se não tem jeito de tirar uma mancha, eu mantenho como “roupa de ficar em casa” até não caber mais, mas se eu vejo que ele pode se virar bem sem aquela peça específica eu simplesmente desapego.

3. Ainda cabe?

Por motivos de: crescer rápido demais, eu sempre compro roupas que ele poderá usar por mais de um ano. Assim eu não preciso comprar roupas com tanta frequência. Na verdade nem lembro qual foi a última peça que comprei. De qualquer forma, minha mãe sempre compra roupa para ele, e imagino que todas serão usadas por bem mais que um ano.

4. É confortável?

Para mim conforto é muito mais importante que beleza. Então eu despenso roupas com tecidos duros e com nenhuma elasticidade. Já comprei peças apenas por serem bonitas pela internet ou para certa ocasião, e por não serem muito confortáveis foram usadas pouquíssimas vezes, ou nunca.

E como diz Nathalia Arcuri: Roupa parada no armário, é dinheiro jogado no lixo.

Então tenho dado mais valor ao meu dinheiro e preferido as peças 100% algodão.

5. Doar/Vender ou jogar no lixo?

Exemplos:

As roupas em bom estado mas que talvez tenham pequenos defeitos podem ser doadas. Doadas para um conhecido, para um desconhecido em um grupo de desapego ou em uma instituição de caridade.

As roupas em ótimo estado que não cabem ou não são confortáveis podem ser doadas ou vendidas. Vendidas em grupos de desapego, brechós ou sites na internet como OLX e enjoei. Eu tenho usado bastante a ferramenta marketplace do Facebook, para ganhar uma graninha com os desapegos do meu filho (incluindo sapatos e outros itens de enxoval do bebê que não uso mais).

E as roupas que não tem jeito em tese iriam para o lixo. Mas isso nunca aconteceu, pois sempre arrumei um jeito rs.

6. Agora é só guardar o que restou e apreciar os espaços de sobra!

De vez em quando eu tenho uma falsa impressão de que agora ele não vai ter quase nada para vestir. As vezes isso acontece porque realmente ele cresceu bastante nesse ultimo ano, em outras vezes é só por costume de ver a gaveta quase sempre cheia.

Se realmente preciso repor alguma peça, anoto em uma lista para comprar quando surgir uma promoção no site da Renner ou Riachuello (essas são as fast-fashion que eu mais compro roupas, acho que tem um ótimo custo x beneficio, já que a maioria das peças que ele tem são usadas por volta de uns 2 anos seguidos). E pronto.

Destralhe concluído com sucesso!

– Mallu

Um problema sobre a busca por menos

Com o minimalismo, veio a promessa de uma vida livre, leve e solta do consumismo. Mas nem todos estão prontos para soltar suas amarras do consumo excessivo. Para os adeptos, e até para aqueles que tem certo interesse no minimalismo, com o passar do tempo destralhar se torna uma constante em suas vidas, algo normal. Eu gosto de dizer que gosto de desapegar.

Mas o problema é quando a busca por mais é substituída pela incessante busca por menos.

O destralhe é apenas um meio, para uma vida minimizada, para uma vida com propósito.

A maioria, e eu me incluo nessa, começa o destralhe com o pensamento de eliminar tudo o que não serve, gostamos ou precisamos. Mas o inverso faz muito mais sentido: encolher cuidadosamente o que queremos manter, quais coisas não queremos viver sem. Enquanto não focarmos no que escolhemos manter, a sensação de “ainda há mais para desapegar” não irá desaparecer.

No minimalismo não tem uma linha de chegada. Você não destralha sua casa toda e quando acaba vive feliz para sempre em um lar sem desordem. Não é assim. O minimalismo é continuo, e o destralhe nunca para, porque não paramos de consumir. Seja uma embalagem de pizza, ou uma nota fiscal, principalmente as notas fiscais, nossa como elas se multiplicam tão rápido! É certo que ter muitas coisas não traz felicidade, mas ser um extremo minimalista não parece a solução mais adequada também. E apesar do minimalismo instigar a busca por uma vida mais simples, consequentemente com menos coisas, medir nosso sucesso pelo numero de coisas que temos, ou descartamos não é a resposta. É uma armadilha.

Por um período eu fiquei neurótica. Eu me importei demais com quantidade, e quanto menos melhor. E quando não tinha nada mais que eu quisesse me desfazer, fiquei meio sem rumo, sabe. E para que isso não aconteça novamente, eu anotei o motivo por eu ter escolhido uma vida com menos. O meu motivo talvez seja totalmente diferente do seu, isso não importa. O importante é se lembrar constantemente do porque decidiu trilhar esse caminho, para que não acabe se deparando sem querer com um quarto vazio, ou se arrependendo de ter vendido o livro Querido John, de Nicholas Sparks, como eu me arrependi.

E por isso é importante lembrar que o minimalismo não é somente sobre ter menos, mas também sobre ter o essencial. Não existe regras, nem números. É sobre o que você precisa, é sobre o que você quer. E o meu essencial pode ser completamente diferente do seu.

Talvez você decida que viver com apenas quatro pares de sapato é o ideal para você, mas eu preferi expandir a minha coleção de sapatos. Talvez você decida ler apenas livros digitais, ou prefira manter sua estante recheada de livros impressos (e com um pouco de vergonha e ao mesmo tempo sem culpa nenhuma, te digo que a minha coleção de livros também está maior do que quando a registrei aqui) porque percebeu que o cheiro de livros te faz muito feliz.

Hoje eu sei que não preciso doar ou vender todas as coisas que não usei em seis meses só porque alguém disse que esse é o melhor método de destralhe. Você não precisa desapegar do seu par de tênis velho se ele é o seu preferido,  ou de algo que usa apenas de enfeite mas que ama. E não precisa se sentir menos minimalista que a fulana porque não consegue pôr todas as suas coisas em uma mala de 20kg.

A pergunta que não quer calar é: De todas as coisas que você ainda têm, quais delas são suas preferidas, quais você decidiu especificamente manter?

– Mallu

Não deixe os brinquedos dominarem a sua casa!

criancas-brincando-com-brinquedos_1398-4991

Se você tem filhos pequenos, provavelmente também deve se perguntar vez ou outra como seus brinquedos conseguem se multiplicar tão rápido? Em um dia, a criança têm 5 brinquedos, no outro, os brinquedos se reproduziram assexualmente e estão dominando o chão do quarto!

Há um ano atrás eu separei a última gaveta da cômoda dele para guardar apenas brinquedos. Mas semana passada eu percebi que não só a gaveta estava lotada, como também havia brinquedos em uma caixa no “maleiro” do meu armário, e duas caixas de papelão esquecidas no baú da cama.

Apesar dos brinquedos não dominarem o meu chão  a maior parte do tempo, porque antes dos 2 anos eu ensinei meu filho a guardá-los em seus devidos lugares (nem sempre quer guardar, mas fica tudo sob controle kk), seus brinquedos já estavam ocupando mais do que o espaço previsto para isso.

E agora vai uma confissão de mãe: Alguns dos brinquedos ele ainda tinha porque eu não conseguia desapegar deles.

Então nessa semana selecionei os brinquedos menos ou nunca usados e perguntei ao meu filho se ele gostaria de doar certos brinquedos para o bebê (que não é nenhum bebê especifico) que não tem brinquedo algum. Depois de alguns sim e não, enchi uma sacola de supermercado. Os brinquedos que ele não brinca mais serão doados para a igreja da tia da minha mãe.

Se seu filho tem uma pilha de brinquedos que não brinca, mas insiste em manter todos, você tem duas opções:
  1. Se desfazer das coisas enquanto ele não estiver olhando .
  2. Incluir a criança no destralhe.

Quando a criança é pequena, a primeira opção é a mais lógica. Os pais decidem o que manter e o que doar. Brinquedos raramente usados não fazem falta, principalmente para crianças muito pequenas.

A partir dos 2 anos fica mais fácil saber quais brinquedos são os preferidos da criança. E talvez até a própria criança consiga dizer isso claramente. Então é legal contar com a participação dela nessa tarefa. Pode ser um desafio, sim. Para delimitar a quantidade de itens para manter você pode pegar uma caixa, um baú, etc, e dizer a criança que ela só poderá ficar com os brinquedos que couberem ali dentro. Se a caixa transbordar, é hora de doar algo.

Pode ser que na hora a criança não queira se desfazer de nada. Mas converse, explique que ela não precisa de tanto. Que os brinquedos que ela não brinca podem fazer outras crianças felizes, crianças que não tem nada para brincar. Eu aposto que você vai se surpreender com a generosidade do seu pequeno.

-Mallu

Morando com acumuladores

clutter

É claro que seria maravilhoso se todos simplesmente abraçassem a nossa causa, e escolhessem viver com menos. Mas a realidade não é essa, é?

Eu gostaria de poder te dar uma fórmula mágica para essa situação, tipo “faça isso que a bagunça some” rs, mas infelizmente isso não existe. Porém acho que sempre pode haver algo a ser feito para lidar com acumuladores, principalmente se eles moram na sua casa. Ou se você mora na casa deles.

  • Se você mora com acumuladores, mas não é o dono (ou o único dono) da casa:

O melhor que pode fazer é dar o exemplo, fazer com que eles vejam os benefícios de viver uma vida com menos coisas. Mesmo assim algumas pessoas simplesmente pensam diferente de você, e não estão nem aí para os benefícios, só querem mesmo é ter o maximo de coisas possíveis, e tudo bem, vida que segue. O melhor para você talvez fosse pegar suas coisas e ir para o mais longe possível dessas tralhas que não são suas, mas nem sempre temos oportunidade para tal coisa. O que me leva à…

messy_kitchens

A segunda abordagem é: fechar seus olhos.

Isso mesmo, você pode fechar seus olhos para algumas coisas, principalmente para a bagunça que não pertence a você por direito. Por exemplo, se o quarto (ou cômoda, gaveta, prateleira, o que for) de alguém que mora com você está o maior caos e você não suporta aquela visão, simplesmente não olhe! Faça do seu local (seu quarto, seu lado, sua cômoda) um santuário, e esqueça todo o resto que não lhe pertence.  Isso não vai mudar a bagunça que se acumula naquele outro espaço, mas é a melhor coisa que você pode fazer para evitar discussões e estresse.

Mas sempre tente dialogar primeiro! Se não funcionar, dê o exemplo!
Se não funcionar, ai você já sabe: feche os olhos para o que te causa desconforto visual. 

gettyimages-513496597-5995aee89abed5001046e749

  • Agora, se você é a autoridade no seu lar (ou divide essa autoridade apenas com seu conjugue):

Se o problema é o quarto do seu filho, eu diria que o sucesso da situação é quase certo. Você pode conversar e convencê-lo a fazer um destralhe. Falar com um adolescente talvez seja mais complicado que com uma criança, não posso afirmar sobre isso, mas acho que em se tratando de nossos filhos pequenos nós temos (ou podemos ter  se quisermos) o controle da situação, o que não é possível morando com irmãos, pais,tios, primos, sogros, amigos, etc.

Se o outro lado no seu relacionamento amoroso for o problema, talvez também não seja tão complicado tentar persuadí-lo. No meu caso, o meu namorado sempre foi 0% apegado a tralhas (os eletrônicos são seu calcanhar de Aquiles, mas esses pelo menos tem alguma utilidade). Mesmo assim, de vez em quando eu gosto de sonda-lo sobre só estar usando certa camiseta, e deixando todas as outras de lado. Afinal, se ele não usa as outras, está apenas mantendo-as para “o caso de”, e ocupando espaço a toa. Isso faz com que ele perceba que “verdade, eu acabo esquecendo as outras porque ficam na parte de trás da gaveta” ou “verdade, vou doar aquela ali, eu não uso há meses”. As vezes eu sou repreendida com um “deixa minhas camisetas em paz”, mas dificilmente.

O problema, que não é um problema e sim uma condição inevitável, sobre viver com outra(as) pessoa(as) é que [por mais sensato que seja aderir ao minimalismo] nós não podemos forçar ninguém a pensar como nós. Damos o exemplo, um puxãozinho de orelha aqui, outro ali, e quem sabe quando menos esperarmos o aprendiz-de-acumulador esteja dando alguns passos em direção a liberdade material. Assim transformando não só a sua, mas principalmente a dele(a), em uma vida muito mais leve e sem estresse! Isso pode até não acontecer, mas como vamos saber se nunca tentarmos?

– Mallu

Por que o Armário Capsula não funciona para mim

“Armário-cápsula é uma técnica que consiste em escolher uma quantidade limitada de peças para vestir durante um tempo determinado, sem comprar nada novo, apenas criando combinações com as peças existentes.”

29365494_603016123372259_267044526546223104_o

A ideia é atraente, mas depois de muito pesquisar e ver alguns videos sobre o assunto eu constatei que essa coisa de Capsule Wardrobe não é para mim. Por quê?

Uma resposta sem rodeios seria porque basicamente

  •  1. Meu armário já é uma capsula. (ou talvez eu devesse dizer que tenho um armário capsula não proposital.)

Mas esse não é o único motivo.

  • 2. Moro no Rio de Janeiro, uma cidade onde hoje faz 34º com sensação térmica de estar no inferno, mas amanhã chove para cacete e faz 19º. O clima é incerto demais para ter certeza que eu conseguiria usar todas as peças que eu escolhesse para a tal capsula.
  • 3. Não gosto da ideia de estar “esquecendo” alguma coisa. Por isso mesmo que deixo todas as minhas roupas a vista, enfileiradas nas gavetas ou penduradas em cabides. Nada de caixas. Tudo fica exposto, para que eu consiga saber exatamente tudo que eu tenho.
  • 4. E acho que se eu conseguisse não usar algo por tanto tempo (3 meses é o tempo médio de cada capsula, pois leva em conta cada estação do ano), provavelmente constataria que aquela peça não era tão importante para mim, e pensaria em desapegar dela. (Talvez esse seja um dos objetivos da capsula??)
  • 5. Eu já uso tudo que eu tenho. Desde 2016, quando li o livro “A mágica da Arrumação”, da Marie Kondo, não separo mais minhas roupas por “de sair” e “de ficar em casa”. Uso quase todas as roupas que estão a minha disposição em qualquer hora e lugar, com exceção de 2 vestidos longos que só usei em festas a noite. Mas estou pensando em começar a usá-los casualmente. Pois se for para esperar a próxima festa chique, é capaz dos vestidos nunca mais serem usados rs.
  • 6. Eu não teria onde guardar as peças que não poderia usar (e acabaria resgatando-as uma hora ou outra rs).

12

Esses são os principais motivos que eu consigo me lembrar para não ter tentado fazer um armário capsula. O que eu quero deixar claro é que: Não tenho nada contra quem faz, apenas não funciona para mim. Acho que faz muito mais sentido para quem tem uma quantidade consideravelmente grande de roupas, porque dessa forma a pessoa consegue realmente usar todas as peças que têm (mesmo que leve meses para conseguir usar tudo). Ou até mesmo para quem está em busca de auto-conhecimento, sobre seu estilo.

Eu tenho poucas roupas, mas como todas são básicas, peças curingas, caem superbem com qualquer outra. Se repito roupa é porque eu quis usar aquilo, de novo e de novo, mas sempre com combinações diferentes. Gosto de acordar e poder vestir qualquer uma das peças do meu armário, que até pode parecer uma capsula, mas uma capsula sem qualquer tipo de restrições.

Qual sua opinião e experiência sobre armário capsula? Já teve algum? Faria ou também não é para você?

Beijos, Mallu

Compro uma roupa, desapego de outra

Praticando o desapego e mantendo a ordem no guarda-roupas

Um dos “segredos” para ter um guarda roupas minimalista (que significa ter peças que realmente usamos e gostamos, e não apenas um armário monocromático) é aprender a praticar o desapego casualmente. Por que de nada adianta fazer aquele super destralhe no final do ano, e continuar acumulando todos os dias seguintes.

Quando eu comecei meu processo de destralhe do guarda roupas eu me livrei de bastante coisa. Mas mantive muitas outras peças pelo fato de não ter nenhuma para substituir, no caso de eu precisar dela. E nessa de “um dia talvez eu precise”, fiquei com algumas peças  encalhadas no armário. Por exemplo, uma jaqueta rosa que um dia foi da minha mãe.

Hoje a jaqueta está desbotada e manchada, mas como eu não tinha outra jaqueta, decidi manter  a rosa, apesar de já fazer mais de dois anos que não a uso. Já pensei em tingi-la, mas nunca que arrumo tempo ou separo dinheiro para fazer isso. Eu poderia ter me desapegado há tempos dela, mas só agora que finalmente comprei uma nova que a coragem de manda-la embora apareceu.

Nesse mês de Março (e pela primeira vez no ano) comprei roupas novas. A jaqueta azul e o short preto já faziam parte do plano, e agora eu posso riscá-los da minha wishlist 2018. Apesar de não fazer parte da lista, a regata preta é um item que eu realmente estava precisando, e pretendo comprar mais regatas em cores diferentes, pois as poucas que tenho já estão esgarçadas e manchadas. (Atualização Agosto 2018: nao comprei outras regatas, pois ganhei duas da minha mãe. E percebi que nao preciso de mais que isso. As velhas foram há meses para o lixo, infelizmente estavam horríveis demais para serem doadas.) Já a camisa xadrez e a blusa de manga curta da Grifinória foram meus achados (paguei R$30 e R$15 nelas, respectivamente). Confesso que essas duas últimas foram compras impulsivas. A blusa da Grifinória era a única na loja e eu pensei “meu deus do céu preciso dessa blusa na minha gaveta”, MAS não me arrependo da aquisição. 1º. porque são lindas; 2º. porque agora não preciso mais pegar a camisa xadrez emprestada do boy.

COMPREI:

33

E com essas compras, percebi que minha gaveta de blusas já estava ficando sem espaço e que todos os cabides já estavam ocupados. Meu instinto compulsivo dizia para eu comprar mais cabides e pensar em um novo tipo de dobra para compactar as blusas e conseguir milagrosamente mais espaço na gaveta. Mas eu sabia que já ta na hora de desapegar! Principalmente da jaqueta rosa, que enfeitava o cabideiro para o caso de “um dia eu precisar”, apesar de eu saber que nunca precisaria. Mas acho que o fato de ter sido da minha mãe foi o verdadeiro motivo de eu ter ficado com ela encalhada por tanto tempo. 

DESAPEGUEI:

Sem título

A regata, de tanto já ter usado, já estava larga demais. O body, que já foi de outra pessoa, apesar de já ter usado bastante, é apertado demais, e eu cansei de sufocar meu corpo. A camisa xadrez, que também já teve outra dona, só usei uma única vez, em 2015. PS: tbm me desfiz de uma calça leagging preta, mas esqueci de fotografar.

Quando compramos algo, e nos permitimos desapegar de outra coisa, conseguimos manter o equilíbrio. Dessa forma, o espaço não fica abarrotado de roupas, ou/e você nem sente como se “um dia” fosse precisar da peça que precisa dizer adeus.

É claro que pode chegar um momento em que você não queira se desfazer de nada. Por exemplo, apesar de eu ter comprado um short novo, estou satisfeita com todas os outros shorts que eu já tenho. E não tem nenhum problema nisso, contanto que ame e use todas as roupas que estão no seu armário. Já a calça leagging que me desfiz, apesar de não ter ainda uma substituta, já não me servia mais, pois estava totalmente gasta e velha. Se eu já não usava mesmo, não preciso esperar comprar outra nova para me desapegar da antiga.

Comprei 5 peças de roupa nova, sem precisar comprar nenhum cabide a mais. Pois me desfiz de 5 peças de roupa antigas, que ou eu não usava faz um tempo, ou eu não pretendia usar nunca mais.

E é tão bom ver a energia fluir. Roupa foi feita para ser usada. Se for para ficar no fundo da gaveta pegando pó, é melhor desapegar! 

Beijos, Mallu